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Correios apertam controle da jornada, mas ignoram sucateamento, PDVs e adoecimento dos carteiros

Após anos sem concurso, sucessivos PDVs e sobrecarga extrema — inclusive na pandemia — carteiros voltam a ser pressionados por metas e vigilância, enquanto a empresa ignora as causas reais da crise operacional.

Um documento interno dos Correios que reforça o controle da jornada e da produtividade escancara uma contradição profunda: a empresa cobra mais de um quadro envelhecido, adoecido e reduzido por PDVs, sem enfrentar a falta de contratações e o sucateamento acumulado ao longo de mais de uma década.

Um documento interno dos Correios, assinado pela Gerência Corporativa (GEGD), reacende um velho problema da empresa: a cobrança de produtividade e controle da jornada sem enfrentar as causas reais da sobrecarga de trabalho.

Sob o discurso de “otimização”, “eficiência” e “restrições orçamentárias”, a orientação reforça o uso rigoroso do SGPD, cobra o cumprimento integral da jornada e critica liberações antecipadas de trabalhadores. O problema é que o texto ignora completamente a realidade concreta vivida pelos carteiros nos últimos anos.

Controle da jornada vira instrumento de pressão

O documento determina que gestores monitorem diariamente os registros do SGPD, corrijam falhas e evitem qualquer liberação antes do fim da jornada. Em um dos trechos mais reveladores, a empresa afirma que, em apenas um dia, “perdeu o equivalente a 412 empregados” por liberações antecipadas em 11 SEs.

Na prática, a lógica apresentada é simples e perigosa:
se o trabalhador termina a atividade antes do fim da jornada, isso passa a ser tratado como prejuízo, não como resultado de organização ou oscilação natural da demanda.

Essa visão transforma o carteiro em “capacidade produtiva instalada”, apagando o fator humano do trabalho postal.

Falta de contratações desde 2011 agrava a situação

O que o documento não diz é fundamental para entender o cenário atual:
não há contratações regulares de carteiros desde o concurso de 2011.

Alguns poucos trabalhadores ainda ingressaram depois, dentro do prazo de validade do concurso, mas isso não representa renovação real do quadro. O resultado é um efetivo envelhecido, com:

  • Problemas de saúde física acumulados
  • Aumento expressivo do adoecimento mental
  • Desgaste extremo causado por anos de sobrecarga
  • Menos trabalhadores para dar conta da mesma ou maior demanda

Cobrar produtividade sem recompor o efetivo é empurrar o problema para quem está na ponta.

PDVs esvaziaram a empresa e sobrecarregaram quem ficou

Além da falta de contratações, os Correios passaram por diversos Programas de Demissão Voluntária (PDVs) nos últimos anos. Esses programas reduziram drasticamente o quadro de funcionários, especialmente na área operacional, sem reposição adequada.

O impacto foi direto:

  • Menos gente nas unidades
  • Mais trabalho por trabalhador
  • Intensificação do ritmo
  • Adoecimento crescente
  • Pressão constante por resultados

Os PDVs foram vendidos como solução de gestão, mas na prática funcionaram como uma sangria permanente, cujas consequências recaem até hoje sobre os carteiros.

Carteiros sustentaram a empresa nos piores momentos

Mesmo com sucateamento, cortes e ataques aos direitos, os carteiros mantiveram os Correios funcionando:

  • Durante governos de ajuste e retirada de direitos
  • No período mais agressivo de tentativa de privatização
  • E, principalmente, durante a pandemia da Covid-19

Enquanto grande parte da população ficou em casa, os carteiros seguiram nas ruas, expostos ao risco, garantindo a entrega de medicamentos, documentos, auxílios e serviços essenciais.

Foram trabalhadores de linha de frente — sem o reconhecimento proporcional ao esforço e ao risco assumido.

A contradição da gestão atual

Hoje, a empresa:

  • Reduz o quadro por PDVs
  • Não contrata novos carteiros
  • Envelhece e adoece sua força de trabalho
  • E depois intensifica o controle e a cobrança

Ao associar liberação antecipada ao “descumprimento contratual”, o documento cria um ambiente propício à vigilância excessiva, ao assédio moral e à punição, inclusive por decisões que muitas vezes partem da própria gestão local.

Não é eficiência. É transferência de responsabilidade.

Uma crítica necessária

Não falta compromisso dos carteiros.
Falta efetivo.
Falta investimento.
Falta respeito à realidade do trabalho postal.

Os Correios só continuam de pé porque, apesar de tudo, os trabalhadores seguem sustentando a empresa com o próprio corpo e a própria saúde.

Transformar isso em números frios de sistema não é gestão moderna.
É ingratidão institucional e um caminho perigoso para aprofundar o adoecimento e a precarização.

✍️ Por Junior Solid

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