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Novo sistema dos Correios bloqueia “ausente” no app e gera críticas de carteiros

Atualização do aplicativo de entrega promete combater o “falso ausente”, mas trabalhadores alertam para erros de endereço, numeração irregular e prédios sem identificação que tornam muitas baixas impossíveis.

Uma atualização recente do aplicativo utilizado nas entregas dos Correios passou a impedir que carteiros registrem o motivo “destinatário ausente” quando o sistema identifica que o trabalhador está fora do raio geográfico do endereço. A medida, segundo comunicado interno divulgado aos gestores, busca combater o chamado “falso ausente”. No entanto, na prática da rua, trabalhadores apontam uma série de problemas que podem tornar muitas baixas impossíveis — mesmo quando a tentativa de entrega foi realmente realizada.

Novo sistema usa geolocalização para bloquear “ausente”

De acordo com orientação interna divulgada pela empresa, a nova versãoaplicativo de entregas, passou a utilizar dados do sistema GeoCorreios para validar a posição do carteiro no momento da baixa do objeto.

O objetivo declarado é evitar que entregas sejam marcadas como “ausente” quando o carteiro não esteve no endereço do cliente.

Segundo o comunicado:

  • o sistema verifica a posição geográfica do aparelho
  • compara com o ponto cadastrado do endereço
  • se estiver fora do raio permitido, bloqueia a baixa

A empresa afirma que a funcionalidade busca coibir o chamado “falso ausente”, prática em que objetos são registrados como tentativa de entrega sem que o carteiro tenha ido até o local.

O problema: a cidade real não funciona como o sistema imagina

Embora a medida pareça simples no papel, quem trabalha diariamente nas ruas sabe que a realidade urbana brasileira é muito mais complexa do que os sistemas digitais conseguem representar.

Existem diversas situações em que não é possível realizar a entrega, mesmo estando no endereço correto.

E é justamente nesses casos que o novo sistema pode gerar conflitos.

Quando o número simplesmente não existe

Uma das situações mais comuns nas entregas é quando o objeto chega com numeração inexistente.

Exemplo típico de uma rua:

  • nº 2
  • nº 4
  • nº 6
  • nº 8
  • nº 10

Mas o objeto vem endereçado para:

nº 50

O carteiro percorre a rua inteira e constata que o número não existe.

Nesse caso, o procedimento correto seria registrar a baixa como:

“número inexistente”.

Mas dependendo do ponto cadastrado no GeoCorreios, o sistema pode impedir o registro.

Isso gera uma situação curiosa:

o sistema parece “conhecer” a rua melhor do que o carteiro que trabalha nela há anos.

Endereços incompletos em prédios sem portaria

Outro problema frequente envolve prédios sem identificação adequada.

É comum chegar objeto com endereço assim:

Rua Silva, 120

Mas na prática o local é um condomínio com:

  • vários blocos
  • dezenas de apartamentos
  • nenhuma portaria
  • caixas internas sem identificação

Sem informações como:

  • bloco
  • apartamento
  • nome do morador

simplesmente não há como localizar o destinatário.

O correto seria registrar endereço insuficiente, mas o sistema pode bloquear a baixa.

Numeração irregular nas ruas brasileiras

A lógica usada pelos sistemas digitais parte do pressuposto de que a numeração das ruas segue ordem crescente.

Na realidade, muitas ruas têm numeração completamente irregular.

Situações comuns incluem:

  • casas construídas depois da numeração oficial
  • terrenos subdivididos
  • casas com numeração antiga mantida
  • números fora de sequência

Em alguns casos é possível encontrar algo como:

  • nº 8
  • nº 10
  • nº 200
  • nº 12

O carteiro sabe exatamente onde é cada casa.

Mas o sistema, baseado em coordenadas, pode apontar um local completamente diferente.

Prédios com entrada por outra rua

Outra situação comum nas grandes cidades ocorre quando o endereço oficial fica em uma rua, mas a entrada de entrega fica em outra.

Por exemplo:

Endereço oficial
Rua A, nº 150

Entrada real para entregas
Rua B

Em muitos condomínios:

  • toda a correspondência é recebida por uma única portaria
  • essa portaria fica em outra rua

Nesse caso, o carteiro está no local correto, mas o GPS pode indicar que ele está fora do raio do endereço.

Resultado: o sistema pode impedir a baixa.

O próprio documento admite erros no banco de endereços

A própria orientação interna reconhece que podem ocorrer erros na base de dados do GeoCorreios.

Entre os problemas possíveis estão:

  • endereços cadastrados em local errado
  • ruas duplicadas
  • coordenadas imprecisas
  • CEPs desatualizados

Quando isso acontece, o trabalhador pode estar no endereço correto, mas o sistema entende que não.

Tecnologia não pode substituir o conhecimento da rua

A intenção de combater fraudes é legítima, mas especialistas em logística urbana apontam que sistemas de geolocalização precisam considerar as particularidades das cidades brasileiras.

Carteiros acumulam um conhecimento territorial que muitas vezes não está presente em bancos de dados.

Eles conhecem:

  • mudanças de numeração
  • entradas alternativas
  • prédios sem identificação
  • casas construídas fora do padrão

Quando um sistema ignora esse conhecimento prático, surgem conflitos entre a lógica do algoritmo e a realidade do trabalho.

O risco de transformar um problema em outro

Sem uma base de endereços extremamente precisa, medidas desse tipo podem gerar novos problemas operacionais.

Entre eles:

  • aumento de objetos retornados
  • impossibilidade de registrar baixas corretas
  • mais tempo gasto na tentativa de entrega
  • necessidade constante de justificativas administrativas

Ou seja, uma ferramenta criada para combater irregularidades pode acabar criando dificuldades para quem trabalha corretamente.

O debate que precisa ser feito

O combate ao “falso ausente” é importante, mas trabalhadores apontam que o problema não pode ser tratado apenas com tecnologia.

Também é necessário discutir:

  • qualidade da base de endereços
  • realidade das cidades brasileiras
  • condições de trabalho nas rotas de entrega

Sem isso, existe o risco de que a tecnologia seja usada apenas como instrumento de controle, sem resolver os problemas estruturais da operação.

✍️ Por Junior Solid

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