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TFS Fixo é mantido após pressão sindical, mas ameaça de convocações continua nos Correios

Após questionamentos do SINTECT-SP e mobilização dos trabalhadores, os Correios recuaram temporariamente da tentativa de substituir o Trabalho nos Fins de Semana (TFS) Fixo por convocações semanais. Porém, documentos internos mostram que a empresa ainda pretende ampliar o uso do chamado TFS Proporcional.

Os trabalhadores que atuam regularmente aos sábados receberam uma notícia importante nesta semana: o regime fixo de Trabalho nos Fins de Semana (TFS) será mantido, pelo menos por enquanto. A decisão veio após a reação do SINTECT-SP, que contestou a intenção da empresa de acabar com o modelo fixo e substituí-lo por convocações periódicas.

Mas a situação está longe de estar resolvida. Uma Nota Técnica interna dos Correios indica que a direção da empresa continua trabalhando com diretrizes que priorizam o chamado TFS Proporcional, modelo baseado em convocações. O que isso significa para os trabalhadores? E por que a mobilização continua sendo necessária?


O que motivou a reação do sindicato?

O SINTECT-SP protocolou ofício junto à direção dos Correios e à Superintendência Estadual de São Paulo questionando a tentativa de extinguir o regime fixo para trabalhadores que atuam regularmente aos sábados.

Segundo o sindicato, muitos empregados exercem essa jornada há anos e, em diversos casos, há mais de duas décadas sem interrupção.

Na avaliação da entidade, não é possível tratar como algo eventual ou extraordinário uma atividade que faz parte da rotina operacional da empresa há tanto tempo.

A preocupação aumentou porque os trabalhadores passaram a receber informações de que o trabalho aos sábados poderia passar a ocorrer apenas mediante convocações semanais.

Documento dos Correios revela intenção de ampliar convocações

A análise da Nota Técnica mostra que a empresa está buscando reduzir gastos com jornadas extraordinárias.

O documento informa que o orçamento destinado a horas extras, repousos trabalhados e demais jornadas extraordinárias possui limite de R$ 85 milhões para 2026.

Além disso, a direção destaca a necessidade de priorizar recursos para períodos considerados críticos, como:

  • Black Friday;
  • Pico Operacional de Final de Ano (POFA);
  • Operações logísticas especiais.

O trecho mais preocupante aparece quando a empresa afirma que as novas diretrizes determinam a utilização de convocações periódicas e proporcionais para o trabalho aos fins de semana.

Na prática, isso confirma que existe uma estratégia para ampliar o uso do TFS Proporcional em substituição ao modelo fixo.

A própria empresa admite que muitas demandas são permanentes

Um dos pontos que chama atenção na Nota Técnica é que os Correios reconheceram que parte dos pedidos de TFS analisados não possuía caráter extraordinário.

O documento afirma que algumas solicitações foram rejeitadas justamente porque se referem a demandas fixas e recorrentes da operação.

Esse reconhecimento fortalece o argumento dos trabalhadores e dos sindicatos.

Se a própria empresa admite que determinadas atividades são permanentes, surge um questionamento inevitável:

Como justificar a substituição de um regime fixo por convocações ocasionais para atender uma necessidade que ocorre todos os finais de semana?

Debate sobre redução da jornada aumenta a polêmica

Outro elemento citado pelo sindicato é o momento em que essa discussão acontece.

Enquanto cresce no país o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, trabalhadores dos Correios passaram a enfrentar a possibilidade de mudanças que podem aumentar a insegurança em relação à organização da própria jornada.

Para muitos empregados que trabalham aos sábados há anos, o regime fixo permite previsibilidade financeira e organização da vida pessoal.

A substituição por convocações periódicas gera dúvidas sobre remuneração, escala e planejamento familiar.

Mobilização garantiu uma vitória parcial

A manutenção temporária do TFS Fixo mostra que a pressão dos trabalhadores e da representação sindical produziu resultado.

Sem a reação imediata da categoria, a mudança poderia ter avançado sem qualquer debate.

Porém, o próprio documento interno demonstra que a discussão continua aberta dentro da empresa.

Por isso, a manutenção do regime atual deve ser vista como uma vitória importante, mas ainda parcial.

O que pode acontecer daqui para frente?

Até o momento, os trabalhadores que atuam no regime fixo aos sábados permanecem nas mesmas condições.

Entretanto, a Nota Técnica indica que novas orientações sobre o TFS Proporcional ainda deverão ser detalhadas pela empresa em documento específico.

Isso significa que a categoria precisará acompanhar atentamente os próximos movimentos da direção dos Correios.

Mudanças que afetam jornada, remuneração e organização do trabalho exigem transparência, negociação e participação dos trabalhadores.

A vigilância continua necessária

A suspensão da mudança mostra que mobilização funciona. Quando trabalhadores e sindicatos se organizam, a empresa é obrigada a ouvir e reconsiderar decisões que afetam diretamente a categoria.

O TFS Fixo permanece mantido por enquanto, mas os documentos internos deixam claro que a discussão sobre convocações ainda não foi encerrada.

Por isso, o momento exige atenção, acompanhamento e participação dos trabalhadores para impedir que alterações permanentes sejam implementadas sem o devido debate.

Você trabalha aos sábados nos Correios?

Sua unidade recebeu alguma orientação sobre convocações ou mudanças no TFS? Deixe seu relato nos comentários e ajude a informar outros trabalhadores.

✍️ Por Junior Solid

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