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GCR 2026 nos Correios: avaliação por metas pode virar instrumento de ajuste e pressionar trabalhadores

Novo modelo vincula 90% da nota a metas corporativas e financeiras e, embora não seja ilegal, cria base técnica que pode sustentar ajustes como PDV e redução de quadro (Demissão).

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos iniciou o Ciclo Avaliativo 2026 do GCR integrando definitivamente o Acordo de Desempenho e Metas (ADM) à avaliação individual. O novo modelo vincula 90% da nota a metas corporativas e setoriais, muitas delas fora do controle direto da base operacional. Embora não represente automaticamente um plano de demissões, o formato cria base estrutural que pode ser utilizada em cenários de ajuste, como PDV, redução de quadro ou política mais agressiva de metas.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos oficializou a abertura do Ciclo Avaliativo 2026 do Gerenciamento de Resultados e Competências (GCR), por meio do Ofício Circular.

O documento confirma a integração definitiva do Acordo de Desempenho e Metas (ADM) ao modelo de avaliação individual, vinculando diretamente o desempenho do trabalhador às metas estratégicas e financeiras da empresa.

A medida está alinhada ao Plano de Reestruturação 2025–2027 e à Estratégia Correios 2026–2030.

A pergunta que surge é direta:
Estamos diante apenas de um novo modelo de avaliação ou de um instrumento que pode preparar terreno para ajustes mais profundos?

O que muda com o GCR 2026?

O novo modelo altera profundamente a composição da nota final do trabalhador.

Nova distribuição do peso das metas

Para Sede e Superintendências Estaduais:

  • 30% – Metas Corporativas
  • 60% – Metas Setoriais (via ADM)
  • 10% – Metas Individuais

Isso significa que 90% da avaliação do empregado passa a depender de metas corporativas e setoriais, muitas delas fora do controle direto do trabalhador da ponta.

Quais metas passam a impactar a nota?

Entre os principais indicadores:

  • Receita de Vendas Gerencial (RVG)
  • Índice de Entrega no Prazo (IEP)
  • Execução Orçamentária (IOBZ)
  • Net Promoter Score (NPS)
  • Receita de Parcerias Estratégicas (RPE)

Ou seja, metas financeiras, comerciais e estratégicas nacionais passam a compor a avaliação individual.

O carteiro, o operador e o atendente passam a ter sua nota impactada por resultados macroeconômicos e decisões gerenciais que não controlam.

Competência técnica perde espaço

O documento também determina que:

  • As competências técnicas deixam de compor o GCR
  • Permanecem apenas competências fundamentais e gerenciais

Na prática, isso desloca o foco da experiência técnica para o cumprimento de indicadores quantitativos.

Novo sistema classificatório

O GCR passa a enquadrar o trabalhador em quatro conceitos:

  • Altamente Qualificado
  • Desempenho Qualificado
  • Tende à Qualificação
  • Não Alinhado

O conceito “Não Alinhado” chama atenção, pois pode ser utilizado futuramente como base para restrições internas ou medidas administrativas mais duras.

GCR + ADM: análise estrutural

É preciso fazer uma análise responsável e firme.

O GCR + ADM:

Não é ilegal
Não é automaticamente perseguição
Mas aumenta risco estrutural
Amplia pressão sobre a base
Pode ser usado como ferramenta de ajuste

Essa distinção é fundamental.

O modelo, por si só, não demite ninguém.
Mas cria base técnica que pode sustentar decisões futuras.

Por que o modelo pode virar instrumento de ajuste?

1. Criação de histórico formal de desempenho

Agora haverá:

  • Registro automatizado de metas corporativas
  • Registro setorial via ADM
  • Metas individuais obrigatórias
  • Feedback trimestral documentado

Isso gera base documental estruturada de avaliação individual.

Em cenário de:

  • PDV
  • Redução de quadro
  • Reorganização interna
  • Corte de funções

Avaliações podem ser utilizadas como critério técnico.

2. Vinculação direta ao plano de reestruturação

O documento não esconde a conexão com a recuperação financeira.

Quando avaliação individual se conecta a:

  • Eficiência operacional
  • Resultado financeiro
  • Cultura de metas

O ambiente organizacional muda.

O discurso passa a ser:

“Precisamos manter quem entrega resultado.”

Esse é um padrão clássico em empresas em processo de ajuste.

Quando o risco aumenta?

O GCR se torna potencialmente prejudicial se vier combinado com:

  • Corte de direitos
  • PDV (Plano de Demissão Voluntária)
  • Redução de quadro
  • Política agressiva de metas

Nessa combinação, a avaliação deixa de ser apenas instrumento de gestão e pode se tornar instrumento de seleção.

É nesse ponto que o alerta sindical precisa ser firme.

A individualização da responsabilidade

Um dos aspectos mais sensíveis é a transferência indireta de responsabilidade.

Se a empresa enfrenta dificuldades estruturais:

  • Queda de receita
  • Problemas logísticos
  • Pressão de mercado

Esses fatores passam a impactar a nota individual do trabalhador.

A crise estrutural pode ser convertida em desempenho insuficiente.

Esse deslocamento de responsabilidade é politicamente relevante.

Aumento da pressão interna

O modelo também prevê:

  • Acompanhamento trimestral obrigatório
  • Feedback formal sistemático
  • Registro contínuo no sistema

Isso amplia o controle e a cobrança por performance.

Em ambiente saudável, pode ser instrumento de desenvolvimento.

Em ambiente de pressão financeira, pode se transformar em ferramenta de intensificação do trabalho.

Avaliação legítima ou preparação estrutural?

O GCR 2026 nos Correios representa:

  • Consolidação da cultura de metas
  • Integração da avaliação ao plano financeiro
  • Redução do peso técnico
  • Ampliação da responsabilização individual

Ele não nasce como plano de demissão.

Mas nasce como modelo compatível com cenários de ajuste.

E isso precisa ser dito com clareza à categoria.

Avaliação de desempenho é legítima.
Gestão por metas é prática comum.

Mas quando metas financeiras passam a definir 90% da nota do trabalhador, a vigilância sindical precisa ser permanente.

O que a categoria deve acompanhar

  • Como serão distribuídos os conceitos?
  • Haverá transparência nos resultados?
  • O modelo impactará progressões?
  • Será utilizado como critério em eventual PDV?
  • Como a gestão aplicará o conceito “Não Alinhado”?

A resposta a essas perguntas definirá se o GCR será apenas instrumento de gestão ou ferramenta de ajuste estrutural.

Alerta necessário

O momento exige equilíbrio:

Não é alarmismo.
Não é negação da realidade.

É consciência de que instrumentos de avaliação podem ser utilizados de formas diferentes dependendo do contexto político e econômico.

E a categoria precisa estar informada, organizada e atenta.

✍️ Por Junior Solid

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