Mundo Sindical Correios

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Discussão sobre o futuro da ECT em BSB


Essa semana estará havendo o encontro dos ASGETs em Brasília, onde teoricamente serão ouvidas as opiniões dos chefes que mais lidam com os sindicatos de cada DR.

O que pode se esperar desse encontro. Primeiro lugar muito alívio e discurso de agradecimento pelo esforço na vitória do PT. Isso é impossível de não haver. Mas, de uma forma um pouco surpreendente, um discurso mais estranho deve ganhar força nessa reunião. O discurso da preocupação que existe sobre os alinhamentos da ECT com seus funcionários de base.

É fato que os trabalhadores confiam ainda menos hoje na diretoria da empresa do que antes. A dificuldade de fazer os trabalhadores acreditarem que dias melhores virão são imensas. Prova disso é que basta a palavra chefe ser pronunciada para que já seja ligada a algo negativo. E isso contamina desde o supervisor até o presidente da ECT.

Na opinião deste que vus escreve isso se deve a frustração em ver vários ex dirigentes sindicais hoje na chefia, o PT no poder e a estagnação das melhorias na vida dos trabalhadores tendo assassinado a esperança que se tinha de dias melhores com a vitória contra a direita. Os últimos quatro anos de governo Dilma foram o terror puro na vida dos trabalhadores, as condições de trabalho estão cada dia mais pesadas pois as cobranças são cada vez maiores e as contratações já perderam qualquer brilho pois o número de trabalhadores que saiu da ECT (PDIA????) já corroeu esse ganho a muito tempo.

No mais, a empresa cresceu e gastou muito com ela mesma. Patrimônio esse que o trabalhador não enxerga como seu pois não é mesmo. O trabalhador é proibido de usar a estrutura de computadores para fins pessoais, não é permitido usar o transporte da ECT para si, não tem desconto algum em nada por ser trabalhador nos Correios. Ao sair do local de trabalho ele não leva nada mais do que seu salário hoje para casa e o senso de responsabilidade para com os serviços. Nada, absolutamente nada é do trabalhador e tudo é da ECT.

Eu poderia continuar uma longa lista de erros dos últimos 4 anos mas seria repetitivo. Prefiro me ater nas soluções. Algumas delas são as seguintes:

ECT tem de parar de olhar para seus trabalhadores como matrículas que devem produzir o máximo possível. Um olhar humanizado em cima dos trabalhadores não pode se resumir a textos bem escritos em Boletins Internos. Exemplo disso é a lei dos motorizados, da equiparação dos atendentes aos bancários na jornada de trabalho, aposentadoria especial aos OTTs e carteiros, além do limite de percorrida. Todos esses projetos são caros sim, mas humanizados. São questões que até hoje a ECT tem se esforçado para não cumprir. E isso cria mal estar imenso a todos.

Outra sugestão é a reforma administrativa com o PCCS. Não dá para termos uma administrativa com tamanha falta de efetivo, tão pouco treinada e tão sobrecarregada. Milhares de trabalhadores que não recebem quase nada de salário, não tem expectativa alguma de crescimento ou valorização. Não se trata de dar chefias aos administrativos e sim de valorização desses como pessoas que tem desejos e necessidades  seja através de menor jornada de trabalho, seja pelo pagamento de algum aditivo, ou seja pela expectativa de ver o PCCS funcionar para haver progressão de carreira. Enquanto isso se vê muitos apadrinhados ou pessoas de fora da ECT aplicando conceitos da iniciativa privada na ECT sem entender os impactos disso, sem entender nada de Correios. As pessoas que deveriam fazer as ordens de cima funcionar na base ficam completamente desarmadas para exercer essa tarefa além de desmotivadas.

Por fim tem de se ter maior agilidade nas liberações de investimentos. Maior liberdade para gastar o dinheiro que está aí nas contas de investimento mas esbarra na burocracia para ser utilizado. Óbvio que parte do princípio que sendo mais livre o gasto, vão ser tomadas atitudes mais rápidas porém quem tomar as decisões e gastar vai ter de assumir a responsabilidade pelos gastos. Hoje, observo que tem muito chefe que tenta fazer gestão mas não dá!!! Chefe não fica no lugar do trabalhador na operacional porque quer mas é porque é o jeito. Chefe não consegue raciocinar melhorias não porque é incompetente ou porque tem raiva da base mas porque tem tanto problema para resolver que não consegue dar conta de pensar em tudo. Muitos chefes brigam muito para tentar conseguir mais recursos e dias melhores para todos mas não conseguem graças a normas e mais normas engessantes. Viver apagando incêndio todo dia é a rotina da esmagadora maioria dos chefes na operacional por exemplo.

Então, se ao menos esses 3 itens forem debatidos no encontro de chefes já fico extremamente feliz. Fazer paz e diálogo com a base significa ter chefias capazes e com recursos para levar esse debate. Não importa a ordem vir de cima mandando ter diálogo com o clima de guerra gerado pela falta de recursos, um incêndio a cada dia para ser apagado na base. Somente aliviando o caos que é hoje dá para avaliar quem é bom e mal chefe. Até lá todos tem a desculpa de que falta investimento, melhores direitos e uma expectativa de crescimento para justificar maus resultados.

As péssimas condições e relações de trabalho somente protegem os maus chefes e desanimam os bons chefes.

Wilson Araujo



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