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História da luta dos trabalhadores dos Correios nos anos 70, 80 e 90: memória, greves e resistência

Da disciplina militar nos anos 70 às greves históricas dos anos 80 e ao arrocho neoliberal dos anos 90, a trajetória dos trabalhadores dos Correios prova que nenhum direito caiu do céu — tudo foi conquistado com enfrentamento.

A história da luta dos trabalhadores dos Correios entre os anos 70, 80 e 90 é marcada por autoritarismo, greves massivas, demissões em massa e arrocho salarial. Em três décadas decisivas, a categoria enfrentou governos, perseguições e tentativas de privatização. O que ainda existe de direitos hoje só foi possível porque houve mobilização coletiva — muitas vezes sob risco real de demissão.

O início: disciplina militar e ingresso sem concurso (anos 70)

Nos anos 70, em plena influência do regime militar, o ambiente nos Correios era marcado por hierarquia rígida e forte presença de chefias ligadas às Forças Armadas.

Relatos de trabalhadores antigos apontam que:

  • Nem sempre o ingresso era via concurso público
  • Indicações políticas e militares eram comuns
  • A disciplina era rígida e o controle severo

O carteiro era respeitado socialmente, mas os direitos trabalhistas ainda eram limitados. A organização coletiva ainda estava em formação.

Anos 80: greves históricas e conquistas arrancadas na luta

A década de 1980 foi o divisor de águas da categoria.

Foi nesse período que vieram conquistas fundamentais como:

  • Vale-alimentação
  • Plano de saúde
  • Avanços nas cláusulas sociais

Mas essas conquistas não foram negociadas de forma tranquila.

Greves com alto custo

As greves de 1985 e 1986 foram extremamente duras. Mais de 10 mil trabalhadores foram demitidos, incluindo praticamente todas as lideranças das associações da época.

Os trabalhadores sabiam que, ao aderir à greve, poderiam:

  • Ser demitidos
  • Sofrer perseguição
  • Receber os piores distritos
  • Ser transferidos para unidades distantes

Mesmo assim, foram à luta.

Na metade dos anos 80, um trabalhador recém-admitido podia ganhar o equivalente a cinco salários mínimos, ainda que sem os benefícios atuais. Esse patamar, porém, seria duramente atacado nos anos seguintes.

Anos 90: arrocho salarial, demissões e política de abonos

Se os anos 80 foram de conquista com enfrentamento, os anos 90 ficaram marcados como período de forte ataque aos trabalhadores.

Governo Collor: demissões em massa

Durante o governo de Fernando Collor, mais de 15 mil trabalhadores foram demitidos, representando cerca de 20% do efetivo da empresa.

Foi um dos períodos mais traumáticos da história da categoria.

Planos econômicos e congelamento salarial

Entre 1989 e 1990, a inflação chegou a patamares altíssimos (em torno de 88% em determinados períodos), enquanto os salários ficaram congelados.

A perda da URP e outros mecanismos de reposição nunca foram plenamente recuperados, achatando o poder de compra da categoria.

Governo FHC: abono no lugar de reajuste

Nos governos de Fernando Henrique Cardoso, consolidou-se a política de:

  • Zero reajuste real
  • Reposição abaixo da inflação
  • Abonos salariais elevados no lugar de aumento permanente

O abono seduzia no curto prazo, mas não incorporava ao salário.

Isso criou:

  • Achatamento progressivo
  • Divisão entre antigos e novos
  • Retirada de direitos para quem ingressava após determinadas datas

O IGQP, incorporado no fim dos anos 90, passou a beneficiar apenas quem entrou até 1999, aprofundando desigualdades internas.

Greve, perseguição e anistia: o preço da resistência

A greve de 1997 foi julgada abusiva e resultou em cerca de 3 mil demissões. Nos anos 90, mais de 300 dirigentes sindicais foram demitidos em todo o país.

Mas a história não terminou ali.

Graças à mobilização e à pressão política, vieram:

  • Anistias constitucionais
  • Leis específicas para demitidos do Plano Collor
  • Reintegrações dos demitidos da greve de 1997

Nada foi espontâneo. Tudo foi fruto de luta organizada.

O que essa história ensina para 2026?

A narrativa de que “o diálogo resolve tudo” não encontra respaldo na história da categoria.

Todos os direitos estruturantes - do vale-alimentação ao plano de saúde - só avançaram após:

  • Greves
  • Enfrentamento político
  • Organização coletiva
  • Pressão nacional

Os anos 70 mostraram o peso do autoritarismo.
Os anos 80 mostraram a força da mobilização.
Os anos 90 mostraram o impacto brutal do arrocho neoliberal.

Sem resistência, talvez a empresa sequer existisse hoje como pública.

A memória da base deixa uma lição clara:

Não existe conquista sem luta.

✍️ Por Junior Solid

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