Embargos do dissídio começam em fevereiro, mas federações não esclarecem direitos

A divulgação de informes recentes da FENTECT e da FINDECT sobre o acórdão do Dissídio Coletivo 2025/2026 trouxe um esclarecimento importante — a suspensão dos prazos processuais no TST —, mas não resolveu o principal problema apontado pela categoria: a falta de respostas objetivas sobre direitos concretos, como o vale-peru, os retroativos e a aplicação prática das cláusulas.

O resultado é um cenário de desgaste crescente, em que a explicação técnica sobre prazos não foi acompanhada da transparência mínima exigida pela base.

FINDECT confirma publicação e suspensão de prazos

No Comunicado 01/2026, a FINDECT informou que o acórdão (sentença normativa) foi publicado oficialmente em 19/01/2026 e esclareceu que os prazos processuais estavam suspensos no âmbito do TST, com retomada em 02/02/2026. Esse ponto ajuda a entender por que a data de fevereiro passou a ser mencionada como referência para a apresentação de embargos.

Do ponto de vista jurídico, o esclarecimento era necessário e corrige a confusão inicial sobre a contagem do prazo. A suspensão explica, sim, a mudança de calendário.

O problema é que a explicação para o “quando” não veio acompanhada de respostas sobre o “o quê”.

FENTECT fala em embargos e tutela, mas sem detalhar impactos

Já o Informe 001/2026 da FENTECT confirmou a intenção de apresentar embargos de declaração e de ingressar com pedido de tutela antecipada para garantir o pagamento de retroativos. No entanto, o texto permaneceu genérico, sem indicar:

  • quais pontos específicos do acórdão serão embargados;
  • se há risco concreto a algum direito;
  • quais benefícios estão sob disputa imediata.

A base voltou a ouvir a mesma fórmula repetida desde a publicação do julgamento: “o jurídico está analisando”.

Vale-peru: o silêncio que virou símbolo

A maior irritação dos trabalhadores concentra-se no vale-peru. O benefício consta no acórdão publicado, mas nenhuma das federações assumiu publicamente essa informação em nota oficial clara, tampouco explicou:

  • se haverá pagamento imediato;
  • se a empresa sinalizou resistência;
  • se o ponto será objeto de tutela específica.

O vazio informativo abriu espaço para áudios informais e achismos, inclusive com afirmações sobre suposto “erro de digitação” — sem parecer jurídico divulgado, sem reconhecimento do TST e sem qualquer documento oficial.

Para a base, isso não é cautela jurídica. É improviso.

“Tenha paciência” não responde à categoria

Ao pedir paciência, as entidades ignoram o fato central: o trabalhador não está cobrando milagre jurídico, mas informação clara. A categoria sabe que o processo é complexo, mas também sabe ler acórdão, consultar o PJe e entender prazos.

O que se cobra é objetividade:

  • o vale-peru está garantido ou não?
  • quando entram os retroativos?
  • há algum direito ameaçado, sim ou não?

Sem essas respostas, a paciência se transforma em desconfiança.

Transparência técnica não pode esconder decisão política

A comparação entre os dois informes revela um padrão:

  • a FINDECT avançou ao explicar a suspensão de prazos;
  • a FENTECT falou em medidas jurídicas;
  • ambas evitaram detalhar impactos reais do acórdão na vida do trabalhador.

Quando governo e empresa são aliados políticos históricos, o silêncio prolongado alimenta a percepção — justa ou não — de proteção ao governo. Percepção política importa, e hoje ela joga contra as entidades.

Informar não desmobiliza; omitir, sim

Há um erro recorrente nas direções sindicais: acreditar que dizer a verdade “enfraquece”. A prática mostra o contrário.
O que desmobiliza é:

  • informe vazio;
  • áudio informal;
  • promessa sem explicação;
  • ausência de nota oficial com conteúdo concreto.

A base aguenta ouvir perdas. Não aguenta ser tratada como incapaz de entender o que está acontecendo.

A categoria exige clareza

A suspensão dos prazos explica fevereiro, mas não explica o silêncio sobre direitos. Se as federações não ocuparem esse espaço com informação oficial, técnica e honesta, ele continuará sendo ocupado por boatos — e o desgaste só aumentará.

O recado das unidades é simples e direto:
chega de “estamos analisando”. A base quer respostas.

✍️ Por Junior Solid

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2 Comentários

  1. Parabéns pelos seus textos! São muito informativos e muito bem escritos.

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  2. E vergonhosa essa omissão das duas federações, uma fica calada e a outra diz que fará algo , mas não cita o que! Enquanto isso nosso dinheiro nada de ir para nossos bolsos.. o lugar de direito.

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