Entenda o recurso dos Correios ao STF que tenta suspender o vale-peru e benefícios do Dissídio 2025/2026

Empresa pede liminar para derrubar decisão do TST que garantiu vale-peru, tickets adicionais, plano de saúde, adicional de 200% e 70% nas férias

Os Correios ingressaram no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de liminar para suspender pontos centrais da sentença normativa do Dissídio Coletivo de Greve 2025/2026, julgada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) no fim de dezembro de 2025.

Na prática, a empresa busca anular direitos conquistados pela categoria, alegando “grave lesão à ordem pública e à ordem econômica”, repetindo uma estratégia já conhecida: perder no TST e correr ao STF para tentar reverter conquistas trabalhistas.

O pedido foi protocolado em 23 de janeiro de 2026, sem ouvir previamente as entidades sindicais — o que juridicamente se chama de liminar inaudita altera pars.

O que os Correios querem suspender no STF

O recurso apresentado deixa claro que os direitos foram deferidos pelo TST. Caso contrário, não haveria o que suspender. Veja ponto a ponto:

Cláusula 48 – Vale-peru e tickets adicionais

Os Correios pedem a suspensão de:

  • 1 crédito extra no valor de R$ 2.500,00 (vale-peru);
  • 1 folha adicional de ticket alimentação/refeição, de agosto a dezembro de 2025;
  • Benefício destinado a trabalhadores com remuneração de até R$ 7.300,00.

📌 Fato importante:
A própria empresa reconhece que o TST determinou expressamente o pagamento desses valores.

👉 Isso confirma que o vale-peru e os tickets adicionais foram, sim, concedidos no Dissídio Coletivo, contrariando versões divulgadas de forma confusa ou incompleta.

Cláusula 54 – Plano de Saúde (Postal Saúde)

Neste ponto, os Correios querem suspender:

  • A obrigação de serem mantenedores do plano de saúde;
  • A determinação de constituição de grupos de trabalho com as federações sindicais.

📌 O que está em jogo:
Sem essa cláusula, a empresa fica livre para alterar unilateralmente regras do Postal Saúde, abrindo caminho para:

  • aumento de mensalidades;
  • ampliação de coparticipações;
  • cortes de cobertura;
  • enfraquecimento da negociação coletiva.

Cláusula 57 – Adicional de 200% em dia de repouso

Os Correios também pedem a suspensão do adicional de 200% para trabalho realizado em dia de repouso.

📌 Impacto direto:
Essa tentativa visa baratear convocações em folgas, estimulando jornadas excessivas e precarizando ainda mais as condições de trabalho.

Cláusula 75 – 70% nas férias

Outro alvo central do recurso é a cláusula que garante:

  • acréscimo de 70% sobre as férias;
  • extensão desse percentual ao abono pecuniário.

📌 Na prática:
A suspensão representa redução direta de renda, atingindo um direito reconhecido pelo TST como forma de recomposição após anos de perdas salariais.

Pedido alternativo: cortar o que pesa mais no bolso

Caso o STF não aceite suspender todos os pontos, os Correios pedem, alternativamente, o corte de:

  • vale-peru e tickets adicionais;
  • cláusula do plano de saúde;
  • adicional de 70% nas férias.

👉 Ou seja, se não derrubar tudo, a empresa tenta eliminar os direitos com maior impacto financeiro para os trabalhadores.

Estávamos certos: o TST deferiu o vale-peru e os tickets extras

O próprio recurso dos Correios ao STF confirma aquilo que já vinha sendo afirmado:

  • O vale-peru de R$ 2.500,00 foi concedido;
  • Os tickets adicionais foram deferidos pelo TST.

Se esses benefícios não existissem na sentença normativa, não haveria pedido de suspensão.

📢 Portanto, não se trata de “interpretação” ou “boato”: trata-se de direito reconhecido judicialmente, agora atacado pela empresa.

Por que as federações não divulgaram isso com clareza?

A ausência de uma comunicação clara levantou questionamentos legítimos na base. Entre as possíveis razões estão:

  • falhas graves de comunicação política;
  • receio de confronto direto com a empresa;
  • aposta equivocada de que o STF não interviria;
  • disputas e fragmentações no campo sindical.

📌 O resultado foi um só: a base ficou desinformada, enquanto a empresa avançava juridicamente.

Conclusão: ataque aos direitos em pleno governo de esquerda

O recurso dos Correios ao STF representa:

  • uma tentativa de esvaziar o Dissídio Coletivo;
  • um ataque direto a direitos recém-conquistados;
  • a repetição de práticas adotadas em governos anteriores.

Tudo isso ocorre em pleno governo que se diz comprometido com o diálogo social, o que torna o episódio ainda mais grave.

As Federações são parte legítima no processo e precisa atuar com rapidez, transparência e firmeza, tanto no campo jurídico quanto na comunicação com a categoria.

📌 Direitos não se negociam depois de conquistados. Se defendem.


✍️ Por Junior Solid

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