Postalis: TCU pune ex-gestores e banco por prejuízos bilionários ao fundo dos Correios
Enquanto muitos participantes do Postalis seguem pagando equacionamentos e convivendo com as consequências dos prejuízos acumulados ao longo dos anos, ex-dirigentes do fundo e instituições financeiras já foram condenados por investimentos que causaram perdas bilionárias.
Muita gente ainda pergunta: alguém foi responsabilizado pelo rombo do Postalis? A resposta é sim. O Tribunal de Contas da União (TCU) aplicou multas milionárias contra ex-gestores e contra o banco BNY Mellon por falhas em investimentos que causaram prejuízos ao fundo de pensão dos trabalhadores dos Correios. Ao mesmo tempo, um novo capítulo surgiu com a fiscalização do acordo de R$ 7,6 bilhões firmado entre Correios e Postalis.
Anos de prejuízos deixaram uma conta pesada para os participantes
Durante anos, o Postalis realizou investimentos que se transformaram em grandes prejuízos. Entre os casos mais conhecidos estão aplicações em títulos ligados às dívidas da Venezuela e da Argentina, além de fundos que posteriormente foram apontados como problemáticos.
As perdas acumuladas ajudaram a aumentar o déficit do fundo e acabaram atingindo diretamente milhares de aposentados e trabalhadores que contribuíram durante toda a vida profissional esperando uma aposentadoria mais tranquila.
A indignação da categoria sempre foi simples: se houve erro de gestão, quem iria responder por isso?
TCU condenou ex-dirigentes e banco responsável pela administração dos investimentos
O Tribunal de Contas da União concluiu processos de responsabilização envolvendo ex-dirigentes do Postalis e o banco BNY Mellon.
As decisões resultaram em multas que somam aproximadamente R$ 307 milhões.
Entre os condenados estão:
- Antonio Carlos Conquista;
- Ricardo Azevedo;
- Grupo BNY Mellon.
Segundo o TCU, houve falhas graves de controle e fiscalização dos investimentos realizados com recursos dos participantes.
Operação Greenfield expôs esquema investigado por órgãos de controle
As investigações da Operação Greenfield colocaram os fundos de pensão no centro das atenções nacionais.
O objetivo foi apurar suspeitas de fraudes, má gestão e operações que geraram prejuízos bilionários em diversos fundos.
Embora parte dos responsáveis já tenha sido punida administrativamente, a recuperação total dos recursos perdidos continua sendo um processo demorado.
Para muitos participantes, a sensação é de que o prejuízo chegou rápido ao bolso dos trabalhadores, mas o ressarcimento caminha em ritmo muito mais lento.
Novo acordo bilionário também entrou na mira do TCU
Mais recentemente, os Correios assumiram uma dívida histórica relacionada ao Postalis.
O acordo prevê cerca de R$ 7,6 bilhões para ajudar a enfrentar o déficit acumulado e reduzir os riscos para o fundo.
Mas o assunto não encerrou as polêmicas.
O próprio TCU abriu uma fiscalização para analisar o contrato firmado entre Correios e Postalis.
A inspeção foi motivada por questionamentos apresentados no Senado Federal.
Entre os pontos analisados estão:
- Impacto financeiro para os Correios;
- Critérios utilizados no acordo;
- Possíveis reflexos nos balanços da estatal;
- Regularidade dos procedimentos adotados.
Até o momento, a fiscalização está em andamento e não existe decisão definitiva apontando irregularidades.
Postalis vence ação sobre o saldamento do PBD
Em outra frente, o Postalis obteve uma decisão favorável na Justiça em ação movida pelo SINTECT-CAS.
O processo questionava o chamado saldamento compulsório do Plano de Benefício Definido (PBD).
Segundo a decisão divulgada pelo fundo, os pedidos foram considerados improcedentes, mantendo as medidas adotadas anteriormente.
Com isso, o Postalis evitou novos impactos financeiros decorrentes da ação.
Trabalhadores continuam cobrando transparência
As condenações mostram que parte das responsabilidades pelos prejuízos foi reconhecida pelos órgãos de controle.
Mas para os trabalhadores dos Correios, a discussão está longe de terminar.
A principal cobrança continua sendo a mesma há anos:
- Transparência total na gestão dos recursos;
- Responsabilização efetiva dos culpados;
- Recuperação dos valores perdidos;
- Proteção das aposentadorias e pensões dos participantes.
Quem contribuiu durante décadas para o fundo quer saber que os erros do passado não serão repetidos e que a conta não continuará sendo paga apenas pelos trabalhadores.
✍️ Por Junior Solid
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