A direção dos Correios anunciou novas atualizações no SGPD (Sistema de Gestão da Produção e Distribuição) — também chamado na prática de SGDO nas unidades. As mudanças são apresentadas como modernização da gestão, mas na rotina do trabalhador elas representam mais controle, mais cobrança e maior pressão por produtividade.
Entenda, ponto a ponto, o que está sendo implementado e por que a categoria precisa ficar atenta.
Redistribuição diária de carga por distrito
Com a atualização, o sistema passa a projetar diariamente a redistribuição de carga entre os distritos de cada unidade.
Segundo a empresa, o objetivo é:
- ter visão mais precisa da carga disponível;
- equilibrar rotas e equipes;
- apoiar a tomada de decisão da gestão.
Na prática, o que isso significa para o trabalhador?
- mudanças constantes nas rotas;
- remanejamentos frequentes de carga;
- aumento da exigência de entrega, mesmo com efetivo reduzido;
- desconsideração de adoecimento, ausências justificadas e condições reais das áreas.
Alerta sindical:
Redistribuir carga sem planejamento humano gera sobrecarga, estresse e risco de acidentes. Sistema nenhum substitui trabalhador.
Novo menu “Produtividade”: monitoramento individual
Outra mudança importante foi a criação do menu “Produtividade” dentro do módulo Operação, com acesso ao SATDD (Sistema de Apoio à Tomada de Decisão).
Esse sistema organiza dados em três níveis:
- visão regional;
- visão por unidade;
- visão individual por empregado.
Isso permite:
- acompanhamento detalhado do desempenho;
- comparações entre unidades e trabalhadores;
- criação de metas cada vez mais rígidas.
Ponto crítico para a categoria:
O acompanhamento individualizado abre espaço para ranking informal, cobrança excessiva e assédio moral disfarçado de gestão técnica. Produtividade não pode ser instrumento de punição.
Tecnologia sem respeito vira pressão
Não há oposição ao uso de tecnologia. O problema surge quando sistemas são usados para intensificar a exploração, quando números valem mais que a saúde e quando a gestão se esconde atrás de gráficos.
Nenhum sistema pode ignorar a realidade do chão da unidade.
Carga excessiva, efetivo insuficiente e metas irreais não se resolvem com software, mas com contratação, valorização e respeito.
Orientação ao trabalhador
- Não aceite cobranças abusivas baseadas apenas em sistema;
- registre situações de sobrecarga;
- procure o sindicato em casos de pressão ou exposição de desempenho;
- a gestão é responsabilidade da empresa, não do trabalhador individualmente.
✍️ Por Junior Solid
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