Mundo Sindical Correios

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Idéias Chaves para Melhorar a Nossa Empresa.



Desde que entrei na empresa percebi a enorme dificuldade - sentida por todos nós - em unir a categoria em torno de interesses nossos, dos trabalhadores. E olha que o que não faltam são apelos à unidade, de todos os lados.

Mas o que falta? Será que não é um (ou mais) interesse comum, tão forte que seja capaz de subordinar o resto todo numa (ou mais) só palavra, ou movimento?

Proponho 3 ideias-chave pra unir amplos setores da ECT, a maioria das trabalhadoras e trabalhadores da empresa.


 1. Um Correio 100% público, do tamanho do Brasil, moderno e diversificado em suas atividades e com alcance mundial.  


Esse é o principal nó de todo o enredo. Desvendá-lo significa desatar todas as forças hoje retrancadas, e assim,  abrir caminho pra grandes e profundas transformações na nossa empresa.

Aqui, e sem rodeios inúteis, destaco 2 pontos:

A) Ao lançar as bases do chamado "Correios 10 em 1", a gestão interventora da ECT (sim, é interventora porque deriva de um governo ilegítimo) manifestou - e por escrito - que a missão principal do "projeto" será a liquidação do "Plano Estratégico Correios 2020", principalmente na "questão dos investimentos".

Nós já conhecemos o principal meio com que os neoliberais e privatistas atacam a administração pública: é cortando investimentos! Foi assim, ao longo dos Governo de Collor e FHC.

B) O Plano Estratégico Correios 2020 contém, na parte que toca os "investimentos", o mérito de colocar a ECT à altura dos tempos atuais de um  mundo globalizado, altamente competitivo e tecnológico, dominado por grandes monopólios e financeirizado. Um bom exemplo é o "Google", ou a FedEx.

Não cabe aqui qualquer consideração mais profunda acerca dos desdobramentos dessa "questão dos investimentos" do "Correios 2020", naquilo que chamamos por "relações trabalhistas". Mas, faço isso de propósito, justamente por considerar que esse "desdobramento" merece um título à parte (incluir aqui, penso, me igualaria aos 99% dos militantes e ativistas sindicais que misturaram alhos com bugalhos quando tomaram contato com o Plano, ajudando com seu "boicote" aqueles que, por interesses anti-nacionais, sabotaram o "2020" - e hoje, no poder, promovem o "10 em 1"!)

Assim, o ponto de partida será a retomada do planejamento estratégico "2020"  naquilo que se refere aos investimentos. E uma boa ideia é a trazida à tona nas várias audiências públicas realizadas este ano, por nossos representantes da Fentect e Findect,  qual seja, a (re)criação e fortalecimento do Banco Postal.

O Banco Postal da China, por exemplo, se tornou no maior banco de investimento do mundo, segundo o ranking da Forbes! E a gente aqui briga por migalhas...

2. Uma gestão eficiente, SUBORDINADA aos interesses nacionais.


São favas contadas - e repetidas à exaustão - a crítica ao aparelhamento partidário e ocasional dos Correios. E, em que pese a verdade de tal argumento,  não há um único neoliberal privatista (burocrata ou não) que não endoce tal "crítica".

Mas, se "todos" concordam, por qual razão o problema continua? Por que "todos" que criticavam, quando tiveram a chance de mudar, não mudaram?

Respostas pra essa indagação são muitas e variadas. O fato é que não atacaram o problema de frente!

E, pra piorar: a "ideia" ou "solução" mágica pro problema é a mesmíssima "ideia-solução" pra "todos", a surrada ideia de "criar uma lei que proíbe a filiação partidária do indicado".

Nada mais estúpido e comum. E digno de desprezo! E olha que falo de gente com capacidade de pensar muito melhor do que eu... e repito: tanto os neoliberais, como os burocratas, os "ativistas" ou quem quer que seja, nenhum deles admite mesmo a hipótese dar um fim ao "aparelhamento" dos Correios, sem fugir da habitual resposta!

E o que motiva a "falta de criatividade" não é a "inspiração" ou a falta dela, ou mesmo "inexperiência": é oportunismo puro! Daqueles que critica quando está por "fora", mas apoia quando se vê privilegiado com cargos e funções.

Duas formas eficazes (e já comprovadas pela história*) para se combater o aparelhamento dos Correios, e - principalmente - SUBORDINAR, OBRIGAR, DITAR, COAGIR, IMPOR o projeto nacional pra qualquer dirigente na ECT:

 * Eleições de baixo pra cima de todos os cargos de chefia. E amovibilidade a qualquer tempo. Mas, a ideia acima em nada tem em comum com o diletantismo militante e sectário característico de algumas "seitas" já conhecidas por nós... Ao contrário, se aproxima muito da ideia de eleição tal como ocorrem nas universidades públicas brasileiras.

O Conselho de administração todo ele eleito e amovível a qualquer tempo. Com mandato "vinculado" (se o eleito não cumprir a promessa, ou proposta que o elegeu,  perde o cargo!).

O Presidente da empresa eleito diretamente por todos os empregados, com mandato vinculado e amovível. A forma como o poder executivo se relaciona com o (a) eleito (a) para dirigir uma universidade, por exemplo, é através do oferecimento de uma "lista tríplice", onde o(a) chefe do executivo fica "livre" pra escolher entre os três mais votados.

Da mesma forma, independente da forma da estrutura administrativa e hierárquica que muda com o tempo (é natural que mude), e em todas as esferas da ECT, o princípio da eleição, com mandato vinculado deve ser respeitada.

Toda forma de organização, para ser eficaz, deve estar em consonância com uma política. Definida a "política" (ponto 1, acima), a organização define tudo.

*  A eleição de que falo acima DEVE estar a serviço do bem público, e subordinado ao PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS, plano esse ignorado solenemente por TODAS as gestões da empresa.

A observância dos pré-requisitos contidos no PCCS é obrigatória para ascensão na carreira, bem como pra eventual candidatura em se tratando do preenchimento de cargos de chefia (eleição).

Como se pode ver, a eleição (para cargos de chefia) é um princípio que norteia o preenchimento de algumas tarefas, mas não de todas as tarefas ou cargos que existem (nem toda ascensão significa ocupar cargos de chefia, aliás há que se pensar e descobrir uma forma de termos menos chefes. Uma quantidade menor, mas mais eficiente de cargos de mando).

3. Uma empresa exemplar na valorização e promoção profissional.


É aqui que se desdobra a "questão trabalhista", ou melhor, o trato das relações de trabalho na ECT. E, se não houver um guia, um plano maior que subordina todo o resto, como o que está proposto no ponto "1" (um projeto nacional), bem como uma regra clara e eficaz de fazer valer o tal plano (o ponto "2"), muito do que se pode avançar em termos de "direitos" fica mais distante... ou mesmo impossível.

Aqui reside a principal "lacuna" ou erro dos "planos" elaborados e postos em prática pela gestão da empresa.

Sem um rumo definido (o projeto nacional), e ao sabor dos interesses menores, de grupos ou partidos de ocasião, as relações de trabalho têm se deteriorado paulatinamente. Vimos isso acontecer ao longo da "aplicação" do "Correios 2020", e assistimos, hoje, à radicalização contra direitos e benefícios duramente conquistados pelos trabalhadores da ECT ("10 em 1").

Da mesma forma proposta nos pontos 1 e 2, aqui a ideia é inverter a lógica que percebe o trabalhador como um "gasto" (visão neoliberal), passando a ser visto como "investimento".  Mas também aqui se corre o risco de deixar cair a ideia na retórica enganadora, se não houver meios de se atacar o problema:

A) A tendência INEXORÁVEL é de que cada vez mais trabalhadores e trabalhadoras contratados venha a ingressar na empresa já com canudo de nível superior, ou mesmo de nível técnico na mão. E Imaginar um concurso em que predomine algo diferente disso é uma sandice ridícula... E falo da área operacional, quem dirá para as outras áreas da empresa.

Assim, um enorme manancial de conhecimento e ideias pode vir a tornar-se valor, e valor de troca, inclusive, se for bem aproveitado pela empresa (lamentavelmente,  a gestão fez pouco caso disso, após o concurso de 2011).

Depreende-se daqui a ideia chave de que quanto mais conhecimento adquire o trabalhador, mais "valor" possuirá seu trabalho. E "valor" no sentido capitalista da palavra, valor monetário!

Também mais produtivo tende a ser esse trabalhador qualificado (por exemplo, com conhecimento para assimilar novas tecnologias rapidamente, ou mesmo lidar com produtos ou situações novas).

Assim, a chave para se ver valorizado @s trabalhador@s dos Correios está fortemente condicionado pela oferta de oportunidades e disponibilidade de tempo e recursos pra essa qualificação. Por que a oferta de cursos na Universidade dos Correios não é feita pra TODOS os trabalhadores da empresa? 

B) Quanto MAIOR o salário, mais trabalho por unidade de tempo se adquire. E, perdoem-me os leitores que chegaram até aqui! É que esse princípio de economia o sujeito deveria aprender (senão decorar mesmo) nas primeiras séries do ensino primário. Porque discordar desse fato até podemos, mas não devemos.

Abraços e boa luta.

Henrique Collares
Militante DR-RS
Colunista do Blog Mundo Sindical Correios -  Todas às Quinta-Feira



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