Atestados médicos continuam válidos: por que os trabalhadores dos Correios precisam combater o preconceito e defender o direito à saúde

Em muitos locais dos Correios, ainda existe um problema silencioso, mas real: o preconceito contra colegas que precisam usar atestados médicos. É importante falar sobre isso com seriedade.

Antes de qualquer coisa, precisamos entender que ninguém apresenta atestado porque quer. Na maior parte dos casos, é por necessidade, dor acumulada, traumas de trabalho, sequelas físicas e psicológicas — muitas vezes invisíveis.


Quando falamos em saúde no trabalho, falamos da realidade dura da categoria

Os trabalhadores dos Correios convivem com situações que deixam marcas profundas:

  • Assaltos e violência durante as entregas, que geram ansiedade, insônia e transtornos pós-traumáticos;
  • Problemas de coluna, ombro, joelho e desgaste físico acumulado em anos carregando peso — hoje o limite é 10 kg, mas até o início dos anos 2000 era 15 kg;
  • Pressão de gestores autoritários, que por muito tempo empurraram serviço acima do limite físico e do que o próprio Acordo Coletivo garante;
  • Jornadas pesadas, falta de reposição de pessoal e metas crescentes.

Diante disso, negar ou duvidar da dor do colega é injusto, cruel e desumano. E mais: nenhum trabalhador é médico para julgar o problema de saúde de outro. Se alguém não tem nenhuma doença, que agradeça — e tenha empatia com quem infelizmente tem.


O que mudou — e o que NÃO mudou — nos atestados médicos

Nos últimos dias, surgiram boatos sobre o fim dos atestados em papel e a obrigatoriedade de usar apenas o sistema digital Atesta CFM. Mas isso não é verdade.

1. O atestado em papel continua 100% válido no Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) confirmou que não existe mudança na legislação que obrigue o uso exclusivo do sistema digital. Nenhuma lei revogou ou invalidou o atestado tradicional.

2. A ferramenta Atesta CFM existe — mas sua obrigatoriedade está suspensa

A plataforma digital foi criada para combater fraudes, mas:

  • A obrigatoriedade anunciada para março de 2026 está suspensa por decisão judicial;
  • O CFM esclareceu que não existe previsão para tornar o uso obrigatório;
  • Portanto, boatos sobre “atestado de papel não valer mais” são falsos.

3. CLT permanece igual: atestado médico justifica falta por motivo de saúde

A regra é a mesma: nos primeiros 15 dias, o afastamento é responsabilidade da empresa; depois disso, do INSS.

4. Não existe obrigação de colocar CID

Nenhum trabalhador é obrigado a informar seu diagnóstico. Exigir CID é violação da intimidade e da vida privada.

5. Prazo de entrega

A CLT não determina prazo. O prazo pode ser fixado por acordo coletivo ou normas internas — como já ocorre nos Correios.


Por que esta discussão importa para os trabalhadores dos Correios?

Porque a saúde da categoria está sendo atacada, muitas vezes não pela empresa — mas por colegas que acabam reproduzindo preconceitos.

Quando aceitamos o discurso de que “trabalhador que usa atestado é folgado”, abrimos espaço para:

  • mais pressão;
  • mais assédio moral;
  • mais adoecimentos;
  • e menos direitos.

Empatia e solidariedade sempre fizeram parte da identidade dos ecetistas. Não podemos permitir que o adoecimento seja motivo de humilhação ou julgamento.


Em resumo: atestado é direito, respeito é dever

Os atestados continuam válidos, seja em papel ou digital. A lei trabalhista continua assegurando o direito ao afastamento por motivo de saúde. E os trabalhadores dos Correios precisam, mais do que nunca, se apoiar, não se atacar.

Quem está bem, que siga firme. Quem está doente, que seja respeitado. A saúde de cada ecetista é parte da luta coletiva da nossa categoria.


✍️ Por Junior Solid

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