Os Correios vivem uma crise grave, ninguém nega. Mas a forma como o governo decidiu “ajudar” a empresa escancara uma lógica antiga, injusta e perigosa: o Estado assume o risco, os bancos garantem o lucro e os trabalhadores pagam a conta.
A proposta fechada com cinco bancos — públicos e privados — prevê um empréstimo de R$ 12 bilhões, desde que haja garantia do Tesouro Nacional. Traduzindo para o bom português: se algo der errado, quem cobre é o povo brasileiro. Até aqui, já seria motivo suficiente para um debate sério no Congresso e na sociedade.
Mas o absurdo não para aí.
O preço do empréstimo: 15 mil trabalhadores a menos
Junto com o “socorro”, vem a exigência de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que pode eliminar 15 mil postos de trabalho nos Correios. Dez mil em um primeiro momento, mais cinco mil depois. Voluntário só no nome — porque quando o trabalhador é pressionado pelo medo, pela instabilidade e pela chantagem do futuro incerto, a escolha deixa de ser livre.
Essa conta não fecha.
Ou melhor: fecha apenas para os bancos.
Enquanto o sistema financeiro entra sem risco, protegido pela garantia da União, o carteiro, a atendente, o operador de triagem são tratados como “excesso”. Como se o problema dos Correios fosse o trabalhador — e não anos de má gestão, sucateamento planejado e decisões políticas equivocadas.
Banco não perde. Trabalhador perde. Empresa enfraquece.
A história do serviço público brasileiro já ensinou essa lição várias vezes. PDVs em massa:
- desmontam equipes experientes
- destroem a memória técnica da empresa
- sobrecarregam quem fica
- abrem caminho para terceirização e precarização
Depois, a mesma gestão que aprovou o corte diz que “falta eficiência”. Ora, eficiência sem gente não existe. Correio sem trabalhador vira só prédio vazio e contrato terceirizado.
O que o passado ensina (e o futuro ignora)
Os Correios atravessaram séculos porque sempre foram tratados como empresa estratégica, não como balcão de negócios. Em outros países, quando o correio entrou em crise, o Estado investiu diretamente, modernizou serviços e preservou o quadro funcional. Onde escolheram o caminho do corte e da privatização disfarçada, o resultado foi pior serviço, tarifas mais altas e menos direitos.
Aqui, insistem na receita velha:
“Salva-se o caixa hoje, desmonta-se a empresa amanhã.”
Visionariamente falando, isso não é solução. É adiamento do problema com juros — financeiros e sociais.
Um resumo sincero (com humor, porque dói menos)
- Banco entra → lucro garantido
- Tesouro entra → risco zero
- Trabalhador entra → lista do PDV
Se isso é política pública, alguém esqueceu de avisar quem realmente construiu os Correios.
Defender os trabalhadores é defender os Correios
Não existe saída duradoura para os Correios sem valorização do trabalho, investimento público real e gestão comprometida com o serviço postal universal. Jogar 15 mil trabalhadores para fora não é ajuste, é escolha política — e escolhas podem (e devem) ser contestadas.
Os Correios não precisam de garantias para banqueiros.
Precisam de respeito à sua história e a quem carrega essa história todos os dias nas costas.
📮 Porque sem trabalhador, não há Correios.
E sem Correios fortes, quem perde é o Brasil.
✍️ Por Junior Solid
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