Unidades operam sem terceirizadas da limpeza e sem insumos básicos, enquanto outras regiões seguem funcionando normalmente, expondo uma precarização seletiva dentro dos Correios.
Trabalhadores e trabalhadoras dos Correios na Zona Leste de São Paulo vivem uma situação alarmante de abandono das condições básicas de trabalho. Em GERAE específicas, como a GERAE 09, unidades estão funcionando sem equipe de limpeza terceirizada, sem papel higiênico, sem copos descartáveis e sem qualquer material adequado para higienização dos ambientes.
O cenário é descrito pelos próprios trabalhadores como insalubre. Banheiros sujos, pias e vasos sem limpeza adequada e ausência total de insumos básicos transformaram o local de trabalho em um ambiente indigno. Para evitar que a situação se torne ainda mais caótica, os próprios trabalhadores estão sendo obrigados a fazer a limpeza, mesmo sem essa ser sua atribuição.
Em alguns casos, o absurdo chega ao ponto de trabalhadores levarem copos descartáveis de casa para conseguir beber água durante o expediente.
Empresa alega falta de recursos, mas problema não é geral
A justificativa apresentada pela empresa é a de sempre: “não há dinheiro”. No entanto, essa explicação não se sustenta diante de um dado concreto e revelador: o problema não atinge todas as regiões.
Enquanto unidades da Zona Leste enfrentam sujeira, abandono e improviso, outras GERAE operam normalmente, com limpeza em dia, banheiros em condições adequadas e contratos funcionando. Mais contraditório ainda é o fato de trabalhadores da Zona Leste serem emprestados para essas regiões onde “está tudo certo”.
Isso desmonta o discurso de crise financeira generalizada e levanta uma questão central:
por que algumas unidades funcionam e outras são empurradas para o limite?
Gestão por desgaste e precarização seletiva
O que se vê não é economia, mas gestão por desgaste. A empresa parece testar até onde os trabalhadores aguentam:
- trabalhar em ambiente sujo
- assumir tarefas que não são suas
- aceitar a falta de condições mínimas
- normalizar o improviso
Quando o trabalhador limpa o banheiro para não trabalhar no lixo, a empresa economiza e, ao mesmo tempo, naturaliza o absurdo.
Esse método cria um precedente perigoso: hoje é a limpeza, amanhã pode ser qualquer outro direito básico sendo retirado sob o argumento de “falta de recursos”.
Violação de direitos e risco à saúde
A situação também levanta um alerta jurídico e sanitário. Ambiente sem higiene adequada compromete a saúde, a dignidade e a segurança dos trabalhadores. Limpeza e manutenção são responsabilidade da empresa, não do trabalhador operacional.
Obrigar, ainda que de forma indireta, que empregados assumam a limpeza para manter o local minimamente utilizável é transferir responsabilidades, desrespeitar atribuições e violar direitos básicos.
Por que a Zona Leste virou laboratório?
Se contratos existem e funcionam em outras regiões, a pergunta que precisa ser feita é direta:
- Por que a Zona Leste de São Paulo está sendo tratada como exceção?
- Por que GERAE como a 09 enfrentam abandono enquanto outras seguem normalmente?
- O que a empresa espera que os trabalhadores façam diante desse cenário?
Silêncio, adaptação e resignação não podem ser a resposta.
Denúncia, organização e pressão coletiva
Essa situação precisa ser denunciada, registrada e enfrentada coletivamente. A precarização não começa grande — ela começa no básico: limpeza, higiene, dignidade.
Aceitar trabalhar nessas condições é abrir caminho para perdas ainda maiores.
Trabalhadores dos Correios não são improviso, não são mão de obra descartável e muito menos equipe de limpeza forçada.
São sujeitos de direitos.
✍️ Por Junior Solid
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