Crise nos Correios em 2025: empréstimos bilionários, decretos e o risco do colapso operacional

Medidas anunciadas pelos Correios em 2025: entre a promessa de modernização e o risco de colapso operacional

Em meio ao maior abalo financeiro e operacional de sua história recente, a direção dos Correios apresentou, ao longo de 2025, um pacote de iniciativas que pretende reposicionar a estatal no mercado e conter o avanço da crise. As ações envolvem reestruturação administrativa, novos projetos comerciais, busca por financiamentos bilionários e mudanças regulatórias promovidas pelo governo federal.


Comitê de gestão emergencial

Uma das primeiras medidas foi a criação do Comitê Executivo de Contingência (CCONT), responsável por acompanhar diariamente a situação financeira da empresa. O grupo tem como missão centralizar decisões voltadas à recomposição de receitas, ao controle rigoroso de despesas e à coordenação das ações de recuperação econômica.

Entrada no comércio digital

Desde julho de 2025, os Correios passaram a operar o marketplace “Mais Correios”, uma plataforma voltada ao comércio eletrônico que busca atender pequenos empreendedores e microempresas. A proposta é atuar desde a vitrine digital até a logística de entrega, inserindo a estatal em diferentes etapas do e-commerce. Posteriormente, foi anunciado um investimento de R$ 12 milhões na Infracommerce, empresa parceira da operação.

Projeto voltado ao setor rural

Outra iniciativa apresentada foi o Correios Agro, programa destinado a integrar produtores rurais de pequeno e médio porte aos mercados consumidores urbanos. O projeto aposta na capilaridade da rede postal para facilitar o escoamento da produção agrícola, especialmente em regiões onde o setor privado não demonstra interesse logístico.

Inovação e novos serviços

No discurso de modernização, a empresa lançou o conceito do “Correios do Futuro”, um ecossistema que prevê o desenvolvimento de soluções tecnológicas, incluindo meios de pagamento digitais e produtos voltados à inovação logística e financeira.

Busca por financiamento internacional

Como eixo central da reestruturação, a estatal apresentou um Programa de Modernização que prevê a captação de recursos externos. Inicialmente, o plano indicava a obtenção de R$ 4 bilhões junto ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos BRICS, com aval do COFIEX em março de 2025. Posteriormente, as negociações passaram a tratar de valores mais elevados, chegando a R$ 4,2 bilhões em tratativas revisadas.

Plano de reequilíbrio em etapas

A administração também divulgou um Plano de Reequilíbrio Econômico, estruturado em três fases, com metas de curto, médio e longo prazo. O foco está na reorganização financeira, ampliação de receitas e sustentação do caixa da empresa.

Alertas da imprensa sobre os empréstimos

A tentativa de resolver a crise por meio de crédito ganhou destaque na imprensa nacional:

  • G1 (29/11)informou a aprovação inicial de um financiamento que poderia chegar a R$ 20 bilhões.
  • Correio Braziliense (03/12) revelou que o Tesouro Nacional vetou a operação devido às condições consideradas abusivas, com juros que poderiam alcançar 136% do CDI, mesmo com garantia pública.
  • CNN Brasil (07/12) apontou uma mudança de estratégia: captação emergencial de R$ 6 bilhões em 2025 e um novo empréstimo menor, entre R$ 10 e R$ 15 bilhões, previsto para 2026.

Contrato bilionário com bancos nacionais

Apesar dos impasses, os Correios firmaram um contrato de R$ 12 bilhões com um consórcio formado por cinco instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. O acordo foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União em 27 de dezembro de 2025.

O montante será liberado de forma escalonada: R$ 10 bilhões ao longo de 2025 e o restante em 2026. O prazo de pagamento é de 15 anos, com garantia do Tesouro Nacional, inserindo a operação no pacote oficial de reestruturação da estatal.

O problema ignorado: falta de trabalhadores

Apesar da magnitude dos valores envolvidos, especialistas e entidades sindicais alertam que medidas exclusivamente financeiras não resolvem a crise estrutural dos Correios. Sem a recomposição urgente do quadro de pessoal — hoje marcado por déficit histórico, adoecimento e sobrecarga —, os projetos anunciados tendem a não produzir efeitos reais no dia a dia da operação.

Na prática, há o risco de que os empréstimos apenas ampliem o endividamento da empresa, enquanto bancos e agentes financeiros acumulam lucros elevados, sem que a qualidade do serviço postal seja efetivamente recuperada.


Decreto nº 12.464/2025 reafirma o caráter público e estratégico dos Correios

Em 21 de maio de 2025, o Governo Federal publicou o Decreto nº 12.464, que atualiza a regulamentação dos serviços postais e telegráficos no país. O texto reforça o papel da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos como operador público essencial para o Estado brasileiro.

Manutenção do monopólio postal

O decreto confirma que a ECT permanece como titular exclusiva dos serviços postais estratégicos, incluindo:

  • Envio de cartas, cartões-postais e correspondências agrupadas, no âmbito nacional e internacional;
  • Produção e comercialização de selos postais;
  • Prestação do serviço público de telegramas.

Garantia da universalização

A norma também reafirma a obrigação dos Correios de assegurar o acesso da população aos serviços postais básicos em todo o território nacional, independentemente da rentabilidade da região, seguindo diretrizes do Ministério das Comunicações.

Atuação onde o mercado não chega

O texto deixa explícito que cabe à estatal operar em localidades e rotas de baixo retorno econômico, além de manter uma rede integrada de atendimento, fundamental para a coesão territorial e social do país.

Proteção em áreas estratégicas

O decreto preserva atividades exclusivas dos Correios, como:

  • Comercialização de selos e produtos filatélicos;
  • Serviços de telegramas;
  • Exploração de publicidade vinculada a correspondências postais.

Soberania e segurança nacional

Outro ponto central é o controle estatal sobre remessas internacionais, objetos com valor declarado e a fiscalização postal, instrumentos essenciais no combate a ilícitos e na proteção da soberania nacional.

Atuação em emergências

Por fim, o decreto estabelece que os Correios devem manter normas internas específicas para atuação em situações de emergência ou calamidade pública, reforçando seu papel social e estratégico em momentos críticos.


✍️ Por Junior Solid

Colaborador: Alexandre M Jr. (Correios: O que você precisa saber sobre a crise)

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