Frota sucateada e falta de combustível expõem carteiros motorizados a risco nos Correios

Veículos sem manutenção, motos e carros parados e improvisação forçada colocam trabalhadores em perigo diário nas ruas

As denúncias sobre as condições de trabalho nos Correios se aprofundam e atingem diretamente os Agentes de Correios que atuam como carteiros motorizados (motoqueiros e motoristas), submetidos a situações de risco permanente.

Em diversas unidades, a frota de veículos encontra-se sem manutenção adequada, com motos e carros trafegando em condições precárias, sujeitos a falhas mecânicas e quebras a qualquer momento. Há unidades com cinco motos cadastradas, mas apenas duas em funcionamento, e seis carros, dos quais só quatro conseguem rodar.

O impacto é imediato:
menos veículos disponíveis, sobrecarga de trabalho, pressão por produtividade e cobrança de resultados sem que existam condições mínimas para a execução do serviço.

Falta de combustível e improvisação forçada

As denúncias revelam ainda um cenário alarmante: em algumas unidades, falta recurso até para abastecimento de combustível. Mesmo assim, a gestão mantém a exigência de entrega, empurrando a responsabilidade para os trabalhadores e naturalizando a improvisação como regra.

Quando não há motos ou carros disponíveis, os agentes são obrigados a realizar entregas a pé, mesmo em áreas extensas e roteiros planejados para atendimento motorizado, o que aumenta o desgaste físico, amplia o tempo de exposição na rua e coloca em risco a saúde e a segurança dos trabalhadores.

Condição insegura de trabalho não é “adaptação”

É importante afirmar:
embora o carteiro motorizado seja Agente de Correios, assim como o carteiro pedestre, isso não autoriza a empresa a impor trabalho em condições inseguras ou precárias.

Trabalhar com veículos sem manutenção, sem combustível ou sob improvisação constante viola princípios básicos de segurança do trabalho e expõe os trabalhadores a acidentes, adoecimentos e responsabilizações injustas por atrasos e metas não cumpridas.

Não é acaso. É gestão.

O sucateamento da frota, a falta de recursos operacionais e a pressão por produtividade não são episódios isolados. São resultado de escolhas administrativas que transferem o custo da crise para quem está na base.

Quando um trabalhador sai para a rua com um veículo que pode quebrar a qualquer momento — ou sem veículo algum — o risco é real, diário e previsível.

A tragédia anunciada não pode ser tratada como fatalidade.
A responsabilidade é da empresa.

✍️ Por Junior Solid

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