Pelego: quando a acomodação vira instrumento do patrão

No cotidiano da classe trabalhadora, poucas palavras carregam tanto peso quanto “pelego”. Não se trata apenas de um termo pejorativo ou de xingamento vazio. Pelego é um comportamento político. É uma postura que, consciente ou não, serve aos interesses do patrão, enfraquece a luta coletiva e ajuda a manter a exploração como regra.

Na teoria, o pelego é aquele dirigente sindical submisso ao governo ou à empresa, que atua para “amansar” conflitos e impedir enfrentamentos. Na prática da base, o significado é ainda mais direto: pelego é quem puxa saco do patrão, joga contra a greve e se beneficia da luta que não ajuda a construir.


O pelego do chão da unidade

O pelego não é apenas uma figura abstrata. Ele está presente no dia a dia das unidades, dos setores e dos centros de distribuição.

Tem o pelego clássico, aquele que sempre passa pano para o supervisor, mesmo quando a chefia está claramente errada. Não questiona, não se posiciona, não defende o colega. Prefere a bajulação à dignidade.

Tem também o pelego que não faz greve “nem a pau”, não por reflexão política ou estratégia coletiva, mas simplesmente porque não gosta de greve. Não gosta de conflito, não gosta de enfrentamento, não gosta de luta. Quer o direito garantido, mas sem o incômodo da mobilização.


A desculpa das contas e a lógica da acomodação

Há ainda o pelego que se esconde atrás do discurso das contas a pagar. Diz que não pode parar porque tem boleto, aluguel, carro, financiamento, compromisso. Como se isso fosse exclusividade dele.

A realidade é simples e dura: todos os trabalhadores têm contas. Todos enfrentam dificuldades. Todos sentem o peso do desconto e o medo do salário reduzido. Mesmo assim, milhares param, cruzam os braços e enfrentam o risco porque sabem que sem luta não há conquista.

O trabalhador que se recusa a participar da greve, mas depois recebe o reajuste salarial, os benefícios e as conquistas arrancadas pela mobilização, faz uma escolha clara: prefere o conforto individual à responsabilidade coletiva. Ganha o aumento sem correr o risco, sem o desconto, sem o desgaste. Isso não é prudência. É acomodação.

Na vida do trabalhador, nada é dado. Tudo o que existe no salário, no ACT e nos benefícios veio de greves, enfrentamentos e organização. Quem se beneficia disso sem lutar ajuda a enfraquecer as próximas conquistas.


O pelego não é neutro

É preciso dizer sem rodeios: o pelego não é neutro. Ao não participar da greve, ao desestimular colegas, ao espalhar medo e desmobilização, ele atua objetivamente a favor do patrão.

Greve fraca significa:

  • Menor poder de negociação
  • Acordos rebaixados
  • Direitos retirados
  • Precarização naturalizada

Quem trabalha para enfraquecer a greve ajuda a empresa a impor perdas à categoria inteira.


O pelego sindical: quando a traição veste crachá de dirigente

Ainda mais grave é o pelego sindical. Esse é o dirigente que deveria representar a base, mas escolhe defender o governo ou a empresa, atuando para esvaziar assembleias, sabotar mobilizações e convencer trabalhadores a aceitar migalhas.

Existe também o pelego sindical “risadinha”: aquele diretor que não faz greve, não participa da mobilização, mas aparece depois para justificar acordos ruins, desqualificar a luta e tentar convencer outras bases a aceitarem o que ele já aceitou.

Esse tipo de dirigente rompe com o mandato da categoria. Deixa de ser representante dos trabalhadores e passa a operar como instrumento político do patrão dentro do sindicato.


Greve é escolha de lado

A greve nunca foi fácil. Nunca foi confortável. Nunca foi isenta de riscos. Mas sempre foi o principal instrumento da classe trabalhadora para arrancar direitos.

Diante de uma greve, não existe meio-termo. Ou se fortalece a luta coletiva, ou se contribui para enfraquecê-la. Acomodação também é escolha. Silêncio também é posição política.

A pergunta que fica é simples e incômoda:
quem realmente ganha quando a greve fracassa?

Enquanto houver peleguismo — no chão da unidade ou na direção sindical — o patrão seguirá avançando. Direitos só se mantêm e só se ampliam com consciência, organização e enfrentamento.

Na luta de classes, não existe espaço vazio. Ou o trabalhador se organiza, ou alguém decide por ele.


✍️ Por Junior Solid

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