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Correios parcelam R$ 2,4 bilhões em dívidas e aprofundam ajuste que ameaça direitos dos trabalhadores

Estatal renegocia tributos, admite atrasos de direitos e acelera PDV e metas sob a lógica do ajuste fiscal, reacendendo alertas sobre o futuro do serviço postal público.

Os Correios entraram 2026 recorrendo a uma medida típica de empresas em crise: o parcelamento de R$ 2,4 bilhões em dívidas com a Receita Federal e o INSS, enquanto acumulam empréstimos bilionários e avançam em um plano de reestruturação que transfere o peso do ajuste para os trabalhadores.

Os Correios confirmaram o parcelamento de R$ 2,4 bilhões em dívidas com a Receita Federal e o INSS, referentes a tributos pagos em atraso, como PIS, Cofins e contribuição patronal. O parcelamento foi firmado em 60 meses e tem como objetivo declarado preservar o caixa da empresa, segundo apuração do Valor Econômico.

A medida ocorre em meio a um cenário de forte pressão financeira e integra um conjunto de ações vinculadas ao chamado plano de reestruturação da estatal, iniciado após a contratação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a bancos, no fim de 2025.

Embora o parcelamento regularize formalmente a situação fiscal da empresa, o movimento acende um alerta importante: os Correios não conseguiram honrar tributos em dia, recorrendo ao alongamento de dívidas públicas para manter liquidez.

Atraso de FGTS expõe gravidade da crise

Outro ponto sensível, tratado de forma discreta na matéria econômica, é a confirmação de que, em 2025, os Correios atrasaram o pagamento do FGTS dos trabalhadores, situação que só foi regularizada posteriormente.

O atraso de FGTS não é um problema administrativo menor. Trata-se de direito trabalhista básico, protegido por lei, e seu descumprimento revela que a crise financeira da empresa ultrapassou o campo contábil, atingindo diretamente os trabalhadores.

Ainda que o débito tenha sido quitado, o episódio demonstra que, no atual modelo de ajuste, direitos passam a ser tratados como variáveis administráveis, algo inaceitável do ponto de vista sindical.

Endividamento crescente e dependência do Tesouro

Além do empréstimo já contratado, os Correios discutem com o Tesouro Nacional a captação de mais R$ 8 bilhões, seja por novos financiamentos, seja por aporte direto da União. A necessidade total de financiamento estimada para 2026 chega a R$ 20 bilhões.

Esse movimento expõe uma contradição estrutural:
o Estado cobra tributos de uma estatal que não consegue pagar, autoriza o parcelamento dessas dívidas e, ao mesmo tempo, avalia novos aportes ou empréstimos para garantir a sobrevivência da empresa.

O problema, portanto, não se resume à gestão pontual, mas ao modelo de financiamento e à política pública aplicada aos Correios, cada vez mais orientada por lógica fiscalista e menos pela função social do serviço postal.

PDV e metas: o trabalhador como variável de ajuste

Enquanto reorganiza suas dívidas, a direção dos Correios avança em outras frentes do plano de reestruturação. Entre elas estão:

  • implantação de novo programa de metas, iniciado em janeiro;
  • preparação de um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) previsto para fevereiro;
  • previsão de saída de até 10 mil trabalhadores em 2026.

O PDV volta a ser apresentado como solução técnica para o equilíbrio financeiro, sem que se discuta publicamente seu impacto sobre:

  • a sobrecarga de trabalho nas unidades;
  • a qualidade do serviço prestado à população;
  • a universalização do atendimento postal;
  • o custo social das demissões.

Na prática, a reestruturação segue um roteiro conhecido: diante da crise financeira, reduz-se pessoal, intensificam-se metas e transfere-se o peso do ajuste para quem está na base da empresa.

Nova gestão “técnica” e lógica de ranqueamento

Como parte do mesmo pacote, os Correios anunciaram processos seletivos internos para cargos estratégicos de gestão, como superintendentes estaduais e executivos, com o discurso de formar um corpo gerencial “mais técnico”.

No entanto, a proposta inclui a criação de rankings de desempenho, com a possibilidade de substituição futura de gestores que não alcancem os resultados esperados — critérios que não são explicitados.

Esse modelo reforça uma lógica típica do setor privado, baseada em metas financeiras e pressão por resultados, aplicada a uma empresa pública que deveria priorizar sua função social, e não apenas indicadores de curto prazo.

Ajuste fiscal e risco ao serviço público

O parcelamento de dívidas, o atraso de direitos, o endividamento crescente e o avanço do PDV não são fatos isolados. Eles fazem parte de um mesmo processo de ajuste fiscal permanente, que fragiliza os Correios como empresa pública e prepara o terreno para soluções que, historicamente, recaem sobre os trabalhadores e sobre o serviço prestado à sociedade.

Ao tratar medidas emergenciais como sinais de responsabilidade e modernização, parte da cobertura econômica contribui para naturalizar um discurso perigoso: o de que direitos são custos, e que o encolhimento da empresa seria inevitável.

Defender os Correios é defender direitos

A situação financeira dos Correios exige debate sério, transparente e público. Mas esse debate não pode ignorar que:

  • a empresa cumpre papel estratégico nacional;
  • o serviço postal é essencial e constitucional;
  • trabalhadores não podem ser usados como amortecedores da crise.

Parcelar dívidas pode aliviar o caixa no curto prazo, mas não resolve o problema estrutural. Sem um projeto de fortalecimento dos Correios como empresa pública, integrada e voltada ao interesse social, a conta continuará sendo empurrada — quase sempre — para quem trabalha.

Defender os Correios não é corporativismo.
É defesa do serviço público, dos direitos e da soberania.

✍️ Por Junior Solid

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Um comentário:

  1. Eu fiz uma aposta, fiz uma faculdade EAD, prestei concursos de prefeitura, e apostei que a empresa iria ser forçada a tirar as travas de idade do PDV. Agora estou na expectativa de convocação na prefeitura e realmente o PDV tá liberado. Agora eu gostaria de pelo menos 1 salário por ano de casa, 14 anos. Mas talvez infelizmente por menos de 50mil seria melhor esperar a convocação da prefeitura, que pode demorar, e sair sem nada mesmo, pois daria na mesma.

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